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(V) A História das Rampas

A primeira corrida de automóveis em circuito fechado disputada em Portugal realizou-se em Lisboa, passados sete anos sobre a chegada do veículo de quatro rodas ao País (1895). O palco foi o Hipódromo de Belém, a 17 de Agosto de 1902.

Anos mais tarde, obtêm assinalável êxito as famosas rampas da Pimenteira (em Monsanto, curiosamente, em 1910 e 1913) e, nos loucos anos 20, os alucinantes Quilómetro de Arranque e Lançado disputados nas mais longas artérias da capital.

Entre eles, e desde 1922, o muito prestigiado Quilómetro de Arranque da Avenida da Liberdade, onde potentes bólides competiam ao segundo e a velocidades à época vertiginosas, ladeados por uma moldura humana em delírio.

O início da história da competição em Rampas no nosso país data então de 1910, com a realização da Rampa da Pimenteira a ser a primeira registada em Portugal, disputada no dia 10 de Junho de 1910, foi a última prova disputada no tempo da monarquia. A subida estava situada em Alcântara, com um percurso de 1500m.

O vencedor foi o automobilista Estevão de Oliveira Fernandes, e todos eles, como refere uma reportagem da época, se apresentaram à partida de óculos e "passe-montagne"...

Dos arquivos históricos, recuperamos um pequeno artigo sobre o vencedor:
«Fala Estêvão Fernandes. Doente, venceu e bem. Os Braziers vitoriosos. Um redactor de Os Sports illustrados entrevista o herói da corrida de rampa» "É que o valoroso automobilista, o conhecido Estêvão Fernandes, de Évora, recordman, touriste dos mais ilustres, tenha sofrido há poucos dias um desastre, que quase o deixou num feixe, foi para a corrida com os braços ainda ligados, as costelas, parece-nos que metidas entre talas. (…) Há oito anos que faço automobilismo e julgo poder dizer, sem receio, que sou, talvez, o automobilista português que maior número de quilómetros tenha percorrido. (…) Para prova da sua resistência, basta dizer que o ano passado subi a meia encosta da serra da Arrábida, pelo lado de Azeitão, por onde quase só caminham as cabras."
In «Os Sports Illustrados», Ano I – N.º 6 de 16 de Julho de 1910, p.3.

Desde então, a competição tem desfrutado de muita glória mas também de momentos menos salutares. Curiosamente, sensivelmente de há dois anos para cá, com o início de uma época económica complicada, a competição de Rampas tem gozado de um interesse crescente, tanto por parte de quem compete, mas também, e essencialmente por parte do público. Para se ter uma ideia, a Rampa da Falperra (Braga), em 2010, levou ao seu traçado cerca de 200 000 mil pessoas! Um número fantástico e que poucos espectáculos se podem orgulhar de apresentar. Mas esta não é a única Rampa de sucesso. Por exemplo, na Rampa do Caramulo de 2010, englobada no Festival Motorshow do Caramulo, estiveram cerca de 27 mil pessoas, o que para uma competição automóvel é exemplar. Se olharmos para os níveis de assistência nos circuitos de competição nacional, dificilmente veremos um número que se aproxime sequer destes.

Mas, como se realiza esta competição? Os concorrentes efectuam duas a três subidas de treinos, seguidas de três subidas oficiais e a contar para a competição. Destas três tentativas oficiais, será considerada a soma dos dois melhores registos e a classificação hierarquizada do menor para o maior do referido somatório de tempos.

Se conseguimos despertar a sua curiosidade sobre esta competição, esperamos por si na primeira Rampa do Campeonato de Portugal de Montanha, na Falperra, dias 21 e 22 de Maio de 2011 e que este ano integra o Campeonato da Europeu de Montanha da FIA.






I Rampa da Pimenteira, 10 de Julho de 1910, (Arquivo Municipal de Lisboa)




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